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SÓ NÃO MUDA O DISCURSO

Segundo o dito popular, só quem ganha mesmo com mudança é transportadora. Há quem afirme ter dado uma guinada completa em sua vida, uma mudança de 360 graus, sem perceber que com isso voltou ao ponto de partida. Anedotas à parte, quando se fala em mudança se está lidando com um conceito cada vez mais tão amplo quanto vago. Para as empresas, mudar já significou apenas ampliar instalações, comprar novo maquinário, deixar de fabricar automóveis e passar a fazer tratores, ou de vender apenas tecidos e começar a oferecer roupas prontas, coisas simples, como simples era o mundo. Igualmente fácil era entender o significado de mudança na vida profissional – trocar de emprego, por exemplo – ou pessoal – mudar de cidade, deixar vícios, começar a malhar.

Bem, a boa notícia é que o mundo evoluiu. A má, que o conceito de mudança não apenas evoluiu, mas se tornou um tanto difuso. Ou seja, a própria mudança mudou. Mudar, modernamente, quer dizer inovar, e, mais modernamente, reinventar-se. Isso vale para empresas, produtos, carreiras e vida pessoal. O conceito é interessante, mas como fazê-lo? Por muito tempo, vigorou a lei da acomodação e a crença de que “não se mexe em tome que está ganhando”. Descobriu-se então que nenhum time permanecerá vencedor se não se aperfeiçoar, desenvolver novas estratégias, focar novos objetivos, pois, se não o fizer, perderá o jogo para times que empreenderam tudo isso, que foram além do previsível, e que, mesmo ganhando, entenderam o quanto a estagnação pode deixar para trás, transformar os vencedores de ontem nos derrotados de hoje.

Mudança é a palavra de ordem, muitas vezes acompanhada do complemento “de paradigma”. Mas, na prática, o que isso quer dizer mesmo?

Teoricamente, mudanças são mais fáceis de serem compreendidas e, portanto, implementadas, quando se lida com coisas tangíveis como produtos. Marcas consagradas não estão imunes à necessidade de mudança contínua. A Coca-Cola é um bom exemplo. Quase sesquicentenária, dotada de uma fórmula aparentemente imutável, a bebida mais vendida do mundo vem há tempos buscando se adaptar aos novos hábitos dos consumidores. Primeiro, veio a Diet Coke, cujo pronunciado gosto de adoçante a tornava quase intragável. A Coca Light parecia a solução, mas não rendeu o esperado e surgiu a Coca Zero, com outro sabor e prometendo a mesma coisa com outro nome: uma se diz “sem calorias”, a outra, de “zero calorias”, uma diferença difícil de ser entendida pelo público. A nova onda é a Coca Life, sendo que esta, ao contrário das antecessoras, não tem apenas açúcar, como a tradicional, ou apenas adoçante, como as outras duas, mas uma mistura de ambos, razão pela qual, embora já seja sucesso em vários países, não chegará ao Brasil, onde a legislação proíbe tal mistura desde os anos 1960.

Matéria na íntegra na revista Press Advertising


 
Julio Ribeiro
Jornalista
julioribeiro@terra.com.br
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