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Gabriel García Márquez

O gênio de Macondo

Como buscar a prosa perfeita, encaixar o estilo adequado ao escrever um breve perfil de Gabriel García Márquez? A tarefa torna-se mais árdua porque você acabou de recordar – ou ler pela primeira vez – o pequeno mas ilustrativo excerto de sua obra genial. Como resumir em tão curto espaço uma trajetória dedicidamente irresumível? Gabo ampliou em muito minha paixão pela literatura, ajudou-me a encontrar caminhos, não que alguém possa ter a petulância de tentar emulá-lo, mas, apenas, e humildemente, ter sua obra como Norte a ser perseguido, ainda que se o saiba inalcançável. Ele era amigo dos Castro e admirador do regime cubano, mas não se pode exigir de um homem a perfeição, sobretudo quando em seu ofício ele chegou bem perto disso. Então, como buscar a prosa perfeita, encaixar o estilo adequado ao escrever um breve perfil de Gabriel García Márquez? Na virada da página eu tentarei, não sem certo constrangimento. (Eliziário Goulart Rocha)

 

Muitos anos depois, diante de CarlGustaf, rei da Suécia, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura no Concert Hall de Estocolmo, o escritor e jornalista Gabriel García Márquez havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o ambiente alquímico de sua botica. Aracataca era então um lugarejo no qual predominavam as casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos, e que mesmo ao completar cem anos existência oficial, cem anos de isolamento e solidão, no então longínquo 2015, ainda contabilizaria tão somente umas 38 mil almas, um terço das quais dedicadas às lidas dos campos permeados de história, suor, lágrimas e sangue dos trabalhadores da United FruitCompany, que ali se instalara e colonizara o lugar com seu cultivo de bananas sustentado por trabalho quase de escravidão em conluio com governos corruptos, e assim era o poder ali, por isso uma República de Bananas, termo que viraria sinônimo de paisecos latinos governados por ditadores de ópera-bufa.O mundo era tão recente para o pequeno Gabo, nascido naqueles confins da Colômbia em 6 de março de 1927, que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las ele precisava apontar com o dedo.

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Eliziário Goulart Rocha
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