Foi o jornalista Eugênio Bucci, no último debate do 5º Congresso da Indústria da Comunicação, quem deu o alerta, sobre a “linguagem belicosa” da publicidade brasileira. Possivelmente não é invenção nossa e o resto do universo também goste das figuras guerreiras como arte de convencimento. É uma provocação que ficou marginalizada por outros temas revelantes, mas que merece atenção.
São termos utilizados há tanto tempo e tão corriqueiramente que parece que perderam sua potencialidade original, Mas só parece, pensa Bucci. Ele utilizou como exemplo a expressão “público-alvo” e uma experiência pessoal de praticar tiro ao alvo com o filho. Trouxe ao palco uma dessas placas com o desenho de um corpo humano com buracos de balas e assegurou: “Dar tiros é uma experiência violenta”. Assim, quando se fala em consumidor como alvo, não se fala em sedução, em convencimento, mas em atingir. A palavra target não muda em nada a situação.
“Nós mesmos, jornalistas, estamos usando essa linguagem. Quantas vezes disparamos e-mails?”, questiona. É verdade, a comunicação de massa está repleta de termos guerreiros. Mensagens enviadas por celular são torpedos, uma boa campanha é impactante, promoções são arrasadoras, detona-se uma ideia. O livro de cabeceira de muitos estrategistas (opa, opa) de marcas e de políticos continua sendo A Arte da Guerra, escrito há uns 2.400 anos pelo general chinês Sun Tzu. Aliás, já faz duas décadas que o opúsculo está na moda.
Matéria na íntegra na revista Press Advertising.
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