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A TV descobre e se identifica com o jornalismo policial

 

VEM COMIGO

A TV descobre e se identifica com o jornalismo policial

Noticiário policial sempre foi atração na imprensa.  E quando as vendas de jornais estouraram com o noticiário de “Jack, o estripador”, que cometeu cinco assassinatos em série em Londres no segundo semestre de 1888, não restaram dúvidas: o crime vendia muito jornal.

A imprensa passou a consultar mais seguida e cuidadosamente arquivos policiais, abriu páginas para boletins de ocorrência e declarações de delegados e investigadores. Foi além, teve suas próprias iniciativas em busca de assaltos, roubos, violência, criou até uma linguagem especial, utilizou o rádio e o dramatismo que som permite, mas foi na TV, principalmente no século 21, das câmeras leves, da fácil transmissão de dados, que o jornalismo policial encontrou seu veículo.

Os impressos já não abusam das fotos de cadáveres e trocadilhos nas capas, o rádio passou a centrar seu trabalho na prestação de serviço, mas a TV descobriu que pouca gente passa reto pela tela se a imagem for uma correria em ruelas ou um carro destruído.

Repórteres, pauteiros e apresentadores sabem disso. E exploram isso. O monitoramento da audiência é ao vivo e se um assunto chama a atenção, ele é espichado. “Vai, continua falando que tá dando audiência” é o que os apresentadores ouvem seguido enquanto desfiam seus discursos sobre detidos e policiais.

Não basta falar. Ou melhor: pra falar bastante é preciso ter uma boa reportagem, com boas imagens, boas entrevistas.

 

“Vem comigo” versus “abertura, sonora, passagem, encerramento”

A reportagem policial na TV desenvolveu dois estilos. Um segue o padrão do veículo: imagens com áudio resumindo o fato, entrevistas (as sonoras) seguidas de informação do repórter aparecendo (a passagem) e entrevistas de encerramento. Pode haver alguma inversão de ordem aí. O segundo estilo é o chamado “vem comigo”, expressão criada nos anos 1980 por Goulart de Andrade que olhava para a câmara, dizia frase, virava-se e saía caminhando. Os repórteres policiais seguiram essa trilha no programas do gênero como Aqui e Agora, Brasil Urgente, Plantão de Polícia que se multiplicaram a partir dos anos 1990. No Rio Grande do Sul, Paulão, no Plantão de Polícia, foi o pioneiro e seu  melhor representante. E único.

A maioria mesclou. Wilson Rosa, do SBT, por exemplo, descreve que faz “um híbrido, uma coisa boa”, resultado de sua experiência iniciada em 1996, logo que se formou na Unisinos e ingressou na Bandeirantes, rádio e TV.  Ali, fez reportagem geral, onde se faz de tudo: buraco de rua, manifestações públicas, políticas, acidentes de trânsito, prisões de condenados. Em 2006 foi para o SBT, fez parte da equipe nacional do Aqui e Agora de 2009, que retornou ao vídeo naquele ano mas ficou pouco mais de um mês ar.

“Comecei a me especializar no 'vem comigo', que hoje é a base do jornalismo policial. Trabalhei com o Herbert de Souza, um dos melhores repórteres do velho Aqui e Agora no programa Repórter Coragem, que durou pouco tempo aqui no RS mas deu uma boa base de todo o estilo de hoje”, diz Rosa.

Matéria na íntegra na revista Press Advertising.


 
Marco Schuster
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