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Miopia em Marketing

No seu clássico (e ainda atual) artigo “Miopia em Marketing”, publicado na Harvard Business Review, em 1960, o professor Theodore Levitt ressalta a visão curta de muitas empresas, que as impede de definir adequadamente suas possibilidades de mercado.
Nesta matéria para a Advertising, eu gostaria de levantar e compartilhar com vocês 3 casos de “miopia de marketing”, completamente diferentes entre si, mas que me chamaram a atenção.
Vamos a eles:

Caso 1 – A miopia das emissoras de rádio FM

Como um ouvinte assíduo de FMs, pressuponho que meu hábito de escutar rádio quase que exclusivamente
dentro do meu carro, ao me deslocar para o trabalho ou para outro lugar qualquer, seja bastante comum, apesar de ter acessado uma recente pesquisa de audiência que aponta que a audiência de rádios FM em casa é 10 vezes maior do que em carros. Aposto também que a maioria dos ouvintes de FMs tem, como eu, umas 5 ou 6 estações pré-selecionadas como “favoritas” no seu equipamento e o acesso a elas é imediato. Como a fidelização em todos os meios de comunicação tem caído absurdamente, também aposto que a audiência é volátil, enquanto procuramos uma música boa para escutar nos nossos trajetos, que, geralmente, não ultrapassam meia hora.
Acontece que nas chamadas “horas cheias”, que, para os departamentos de marketing das rádios, são representadas tanto pela hora como pela meia hora, TODAS as emissoras interrompem a programação musical para cerca de 5 minutos de propaganda comercial. Como um publicitário, eu deveria até gostar desses momentos.
Mas, como um ouvinte normal, que só quer curtir uma musiquinha enquanto cruza a cidade, é uma baita duma – com o perdão da palavra – brochada. No dia em que uma das 6 emissoras favoritas modificar esse padrão, jogando sua “hora cheia” para 10 minutos depois (ou antes), me conquistará em definitivo. Me pergunto: será um cartel das emissoras ou burrice mesmo?


Caso 2 – Miopia dos fabricantes de shampoos

Bom, também como a maioria de vocês, compro meus shampoos e condicionadores seguidamente, sem muita fidelização, usando uma ou outra marca conforme a oportunidade e estado de espírito. Tempos depois, nem
lembro mais qual o frasco do shampoo e qual o do condicionador, em muitos casos praticamente idênticos. Claro que vocês vão dizer: é só ler no rótulo sua identificação, seu estúpido. Mas e se você anda com aquele grau de miopia acentuado ou já passou dos 40 e tem a famosa “vista cansada”? Não conheço ninguém que tome banho de óculos, vocês conhecem? Daí acontece que os designers das marcas adoram escrever as singelas palavras “shampoo” e “condicionador” em fontes minúsculas, que, mesmo a 10cm de distância do frasco, ficam quase impossível de ler. Juro que serei um fiel consumidor, pelo resto da vida, da marca que quebrar esse padrão.


Caso 3 – Miopia dos aeroportos brasileiros

Para a Copa do Mundo, a Infraero pretende investir R$5,5 bilhões em obras de reforma e ampliação de aeroportos.
Mas a maioria das obras ainda está em fase de projeto.
De acordo com especialistas, as maiores deficiências dos aeroportos estão nas áreas de circulação dos passageiros.
Por isso, elas deveriam ter prioridade na aplicação dos recursos. Ao todo, 60% dos investimentos deveriam ser feitos nessa área.
Dos 20 principais aeroportos brasileiros, 13 estão saturados.
Os piores são Congonhas e Guarulhos, em São Paulo, que funcionam como distribuidores de voos para outros aeroportos. E, como milhares de executivos que viajam seguidamente a trabalho, este caos é uma fonte constante de stress. Além disso, o meu problema com tomadas é recorrente e muito irritante. Enquanto aguardamos horas pelos voos, aquele tempo precioso poderia ser mais bem aproveitado se tivéssemos, à nossa disposição, uma sala ou local qualquer com locação por hora de mesinhas, uma poltrona confortável e uma salvadora tomada para conectar nossos notebooks ou celulares, que invariavelmente contam com uma bateria com pouquíssima autonomia. Será que nenhum empreendedor pensou nisso ainda?
É como diz o mestre Levitt no seu famoso artigo: “Todas as empresas precisam adaptar-se às exigências do mercado o mais cedo que puder. Se ficarem mais preocupadas com o produto em vez de se preocuparem com o cliente, desaparecerão”.

1 - WhatsApp:

O WhatsApp Messenger é muito mais do que simplesmente um substituto do serviço de SMS, com diz o FAQ do fabricante.
Disponível nas plataformas iPhone, BlackBerry, Android e Nokia Symbian60, este aplicativo virou febre entre os usuários comuns e, principalmente, entre os executivos do mundo inteiro. Trata-se de um serviço gratuito de chat global para smartphones, com possiblidade de troca de mensagens em tempo real, além de envio de fotos, áudio e vídeo. Seu maior diferencial é funcionar com notificações “push”, isto é, sempre está ativado no seu smartphone. Custa menos de 1 dólar nas lojas virtuais dos smartphones.

2 - Viber:

O sistema VoIP vem ganhando muitos adeptos nos últimos anos devido à qualidade dos serviços oferecidos e os baixos custos de utilização. O sistema, que antes era utilizado apenas por grandes empresas ou usuários que necessitavam fazer ligações internacionais, agora está se popularizando.
O Viber é um aplicativo VoIP, gratuito, que permite que você faça ligações de seu iPhone ou Android, usando apenas a conexão com internet, seja Wi-Fi ou 3G.
Após um simples cadastro você já está apto para fazer ligações, basta que seus contatos também tenham o aplicativo instalado.
Diferente de outros serviços VoIP, o Viber não usa nome de usuário ou apelidos:
o seu identificador é o seu número de telefone. Muitos qualificam sua qualidade de transmissão de áudio superior ao Skype, seu concorrente direto. A única desvantagem é que, por não funcionar com créditos – como acontece no Skype –, ele não permite que o usuário faça ligações para números fixos ou aparelhos que não tenham o Viber instalado.


 
Julio Ribeiro
Jornalista
julioribeiro@terra.com.br
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