Era um menino, tinha 14 anos e estava em cima de um telhado, com um microfone na mão, narrando um Bra-Pel, em Pelotas, não para uma rádio legal, mas uma emissora pirata e inofensiva. Adolescentes curiosos dos anos 1940 adoravam experimentar aquela tecnologia. A vida toda daquele jovem, cujo nome artístico era Salimen Júnior, teria vários lances de ousadia.
Quando faleceu, em 30 de julho de 2011, vítima de câncer, logo todos se lembraram de outra história igualmente ousada: a da primeira transmissão a cores da televisão brasileira, em 19 fevereiro de 1972. Foi pela TV Difusora, canal 10, de Porto Alegre, na Festa da Uva. Desta vez ele teve a parceria de Walmor Bergesch.
Nascido em Pelotas, em 2 de fevereiro de 1934, aos 12 anos andava de bicicleta pelas ruas da cidade, fazendo os pedidos do armazém do pai. Aos 16, era quem abria as portas da rádio Cultura, e fechava às 23h. Foi lá que iniciou a carreira de radioator, onde fica até os 20 anos, quando foi convidado por Maurício Sobrinho para trabalhar em Porto Alegre, na rádio Farroupilha. Em 1955, foi uma das revelações da promoção “Melhores do Rádio”, destacando-se como galã de novelas. Em 1956, torna-se animador do programa “Só para mulheres”. Recebe o apelido de “animador-galã”. E em 1957 tornou-se um líder de audiência ao comandar nas tardes de sábado, “Vesperal Farroupilha”, substituto do “Programa Maurício Sobrinho”, que saiu do ar porque o animador comprou ações da rádio Gaúcha. Até 1961, Salimen reinou nas tardes de sábado. Tanto que quando Maurício Sirotsky (o nome de Maurício Sobrinho) decidiu retornar com o seu programa, optou pelo domingo.
Em 1962, para enfrentar a concorrência crescente de Julio Rosemberg, que desde 1961 tinha um programa aos sábados na Gaúcha, o “Vesperal Farroupilha” passou a ser transmitido em cadeia pela TV Piratini. Deu certo.
Tanto que, em 1962, recebe novo convite de Maurício Sirotsky, para trabalhar na rádio Gaúcha. Numa entrevista ao jornalista e pesquisador Luiz Artur Ferraretto, ele contou: “Quando eu me transferi para a Gaúcha, o Maurício não queria mais fazer o programa dele. Então, lançou o MS, 'M' de Maurício e 'S' de Salimen, que começamos apresentando juntos. Aí, fiz um ano sozinho, de 1963 a 1964”. Foi o último grande programa de auditório do rádio gaúcho.
Foi nesse período que se tornou empresário do propaganda, atuando na Panam Casa de Amigos, Deninson Propaganda e Salimen e Franchini.
Mas continuava na TV Gaúcha, de onde saiu no final de 1968, para trabalhar na organização e criação da TV Difusora Canal 10, de Porto Alegre, que entrou no ar em novembro de 1969. Já não era mais o homem dos microfones, mas um executivo inquieto e pronto para inventar. A emissora não estava ligada a nenhuma rede nacional e apresentava muitos programas locais jornalísticos ao vivo. Como Portovisão, apresentado pelos então professores de cursinho Clóvis Duarte e José Fogaça, e comentários de José Antônio Daudt, Jornal da Noite.
Mas não era homem de um instrumento. Foi publicitário do ano de 1971, pela ARP. Entre 1974 e 1976 dirigiu a Maguefa e o Sulbrasileiro Crédito Imobiliário. Em agosto de 76, comprou a Publivar Publicidade e Promoções Ltda., originariamente uma house agency do grupo Kalil Sehbe. Em 1988, aconteceu a fusão com a Símbolo Propaganda, de Daltro Franchini.
Mas no ano 2000, a sociedade foi desfeita e ele assumiu como Diretor de expansão do Jornal do Comércio, e semanalmente escrevia uma coluna sobre marketing e negócios.
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