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Luiz Carlos Reche

Uma vez, Walter Galvani e Ruy Carlos Ostermann inventaram que foram vendedores de pastel na adolescência. Ambos já estavam com carreiras consolidadas na Folha da Tarde, da Caldas Júnior, e se permitiam brincar com o passado. A história tinha detalhes requintados: Ruy contava que suas vendas na estação de trens de São Leopoldo tinham caído porque Galvani colocava açúcar nos seus pastéis, que comercializava na estação de Canoas, roubando os fregueses de Ruy.
"Era uma maneira de metaforizar nossa origem humilde", diz Galvani, filho de marceneiro da Aeronáutica. Já Ruy é filho de dono de restaurante popular, o Comercial.
A fama de ser pasteleiro na adolescência parece dar sorte no jornalismo. O Jornalista do Ano do Prêmio Press 2006, Luiz Carlos Reche, foi, mesmo, vendedor de pastéis durante cinco anos, em Lagoa Vermelha. Ele é o sexto de uma família de oito irmãos e precisou trabalhar a partir dos 9 anos para ajudar no orçamento doméstico. Começou vendendo pastéis e nunca mais parou de conversar com o público e vender. Entrou no jornalismo, diz, "por destino", porque fez três vestibulares diferentes: Medicina em Rio Grande, Direito em Passo Fundo e Jornalismo na PUC de Porto Alegre. A Universidade Federal não tinha curso à noite, único turno livre que tinha. Em 1985, já estudando jornalismo na PUC, entrou como auxiliar do plantão esportivo Érico Sauer na rádio Guaíba, depois foi rádio-escuta, produtor, apresentador do plantão, tornou-se repórter, nos últimos 19 anos, saiu à procura de anúncios e, desde 1999, é chefe da equipe de esportes da emissora. Nesses 21 anos, cobriu cinco copas do mundo de futebol, quase cem gre-nais, mais de 10 Libertadores e duas decisões de mundial de clubes de futebol. Conquistou o prêmio Bola de Ouro (promoção da revista Placar) em 1991, cinco vezes o prêmio ARI e quatro o Prêmio Press (dois como repórter, um como apresentador e o de 2006).
E comprou brigas históricas, via microfone, como a RBS em geral e com a rádio Gaúcha em particular.
Depois de casado, mudou-se para São Leopoldo, onde morava a mãe, e agora no sai mais de lá, onde moram irmãs e os pais estão enterrados. Pai de três filhos, Luiza (um ano), Gabriela (11) e Henrique (18), casado com Lisiane, ele diz que hoje está mais calmo, desde que não saiba que estão lhe fazendo alguma provocação. E feliz: "Pra quem começou vendendo pastel", disse na noite em que recebeu o Prêmio Press, "está bom demais".


Press Advertising: Como é esta história de pasteleiro?
Luiz Carlos Reche: É uma longa história. Nós éramos uma família de dez. Meu pai tinha um bar com jogo de bocha na Avenida Presidente Vargas, num bairro em Lagoa Vermelha, o Bar do Gringo. Só que a coisa apertou. Aí, a mãe abriu outro comércio, no centro. Porque ela, sempre pobre, entendia que os filhos tinham que ter pelo menos estudo.

P.A.: Tua mãe fazia os pastéis?
L.C.R.: Ela fazia e eu ajudava a fritar inclusive. Eu pegava uma cesta de vime, tudo bem distribuído ali dentro, pastel, rosca, às vezes sonho, e vendia de porta em porta em todo o comércio. Sem dúvida nenhuma eu fui o maior pasteleiro de Lagoa Vermelha. Eu tinha "taras" por vender. Vendia tudo de manhã, porque tinha que voltar a tempo de servir as mesas ao meio-dia, no restaurante da minha mãe. Eu sempre trabalhei muito, tipo bicho. No sábado e domingo, eu atendia no bar do pai. Tanto é que eu fui um dos maiores jogadores de bocha de Lagoa Vermelha.

P.A.: No tempo vago você jogava?
L.C.R.: Era uma estratégia. Eu jogava contra o primeiro cliente. E os caras ficavam loucos, porque eu, um guri, ganhava deles. O cara ia tomando a cerveja dele, e eu no bico seco, não tinha nem refrigerante. Eu segurava o primeiro e quando via já estava a cancha cheia. Aí eu passava para o outro lado do balcão, ia atender. Quando o meu pai morreu, fechamos o bar do centro, parei de vender pastel e fui trabalhar na Volkswagen como atendente de balcão. Aos 18 anos, vim embora. Vim para cá e trabalhei no Cartório da segunda zona, na Venâncio Aires. Eu fiquei responsável, porque tinha um bom Português, pelo registro de nascimento das crianças. Alguns óbitos também. Registrava 40, 50, 60 crianças por dia. Há casos extraordinários de eu bater boca, isso aqui tem acento, isso aqui não tem. Eu trabalhava no Cartório de manhã e de tarde e estudava à noite. Até 86 eu fiz a PUC. Em 82, eu fiz cursinho e aí o meu irmão me ajudava. Foi o único ano em que não trabalhei. Em 85 eu vim pedir emprego nessa sala com o Lasier Martins. Eu ajudava o Érico Sauer no final de semana, na rádio-escuta.

P.A.: Ajudava sem remuneração...
L.C.R.: No amor. Aí o Érico chegou na mesa do Lasier e largou um fichário que eu fazia dos jogadores do Grêmio e do Inter, na época não tinha computador... Eu tinha o controle de todos os juniores. Gostava de estatística. E o Lasier foi convencido pelo Érico que eu era um bom acréscimo.

P.A.: Você entrou para a Guaíba quando ela estava numa grande crise.
L.C.R.: Numa crise infernal. E aí os Ribeiros assumiram e colocaram o jeito deles. Eles queriam ter noção, e domínio, de tudo o que estava acontecendo. Em 87, o esporte da rádio Guaíba ficou com oito ou nove pessoas.

P.A.: Tem uma história que você também quase saiu, ou ia perder espaço.
L.C.R.: É o seguinte. Em 87, início do ano, o doutor Carlos Ribeiro me diz: "Olha, nós mudamos a programação, diminuímos o pessoal.Você vai continuar repórter, produtor e apresentador de outros programas. Mas não vai haver mais Plantão Esportivo. Porque eu dispensei o produtor". Porque nessa readaptação eles chegaram à conclusão de que tinham que fazer um recomeço. Eu acho até que deu certo. Então, naquela conversa eu disse para o doutor Carlos: "Tá bem, o senhor demitiu o produtor, mas eu produzo, gravo antes e faço as costuras ao vivo".

P.A.: Você achava muito importante manter o programa?
L.C.R.: Eu estava começando e sabia onde queria chegar. Eu sabia que era um guri pobre, pasteleiro de Lagoa Vermelha, sem pai, com sete irmãos. Não tinha outra alternativa. Estava estudando jornalismo e sabia já da faculdade a dificuldade do mercado, o quanto pagava mal, quanto não se podia fazer uma coisa só. E eu sempre fui guerreiro. Pasteleiro tem que ser o melhor pasteleiro. Bodegueiro tem que ser o melhor bodegueiro. Jogar bocha para segurar cliente, mas se possível ganhar deles para criar uma rivalidade para no outro domingo eles quererem voltar e me ganhar. Então, eu sempre fui da guerra. No bom sentido, sempre com muitos amigos. Sempre fui um bom aluno. Eu não podia rodar. Minha mãe pagava colégio particular para a gente estudar. Não era para fumar às escondidas, largar pandorga, para brincar no recreio. No recreio, eu estudava.

P. A.: Essa cultura você coloca hoje na Guaíba?
L.C.R.: Coloco sim, eu sou neurótico nesse aspecto. Não por mim. Pelo que eu observo e projeto. Em sempre digo "pode falar mal de mim quem trabalhou comigo". Quem for meu adversário e fala mal de mim pela maneira com que eu ajo no microfone eu não levo em consideração, por que têm algumas coisas que na época eram questão de sobrevivência. Não era só questão de estilo. Era uma questão de não deixar que uma rádio que tinha mais audiência, ou maior simpatia do Ibope, pisasse por cima da gente como se a gente fosse formiguinha. Eu jamais admiti que alguém viesse pisar por cima de mim sabendo da história da rádio Guaíba, da força da rádio Guaíba, da força da Caldas Junior. Então, eu lutava, pela sobrevivência em primeiro lugar, e em segundo lugar porque eu achava que não era isso não. Tá bem, eles têm a simpatia do Ibope, eles têm os melhores profissionais, nós estamos em reconstrução, mas nós somos bons. Eu sou bom, o Zé Aldo Pinheiro é bom, o Marco Antonio Pereira é bom, o Luís Henrique Benfica é bom.
Eu implanto, sabe por quê? Porque esses guris que eu contrato são guris que têm desafios, têm que ter um objetivo maior, um objetivo de vida, não só de profissão...

P.A.: Como é que você detecta isso?
L.C.R.: Conversando com eles. Quando eu entrei em 99 aqui, como chefe, eu disse para o doutor Carlos Ribeiro: "Nós temos que ter quantidade e qualidade". Para chegar à qualidade, vai ter que entrar o meu traquejo, o meu jeito. Ou nós temos competência, ou não. Mas quantidade dependia dele. Eu tinha que lançar esta bandeira da quantidade como um desafio para as pessoas: "Se vocês forem crescendo profissionalmente, vão crescendo também salarialmente". Então, aqui, eu faço uma espécie de valorização por tempo de serviço e por qualidade pessoal, na observação do dia-a-dia. Tem que ouvir rádio AM 24 horas por dia, eu digo para eles, e é pouco. Já aconteceu de gente sair daqui e eu arrumar dois empregos pro cara. Eu fiquei preocupado, com dor na minha consciência. Pô, eu lancei o cara, eu fiz o cara, ensinei o cara a falar, a se expressar, uns até aprenderam a narrar, porque dizia que era um sonho narrar.

P.A.: Mas nessa questão da qualidade e quantidade. Por que Marco Antônio Pereira e Zé Aldo saíram?
L.C.R.: Porque receberam propostas melhores. Eles não ganhavam mal aqui. Lei de mercado. Quando o Haroldo de Souza veio para cá em 1991, o que fez a Gaúcha? Contratou o Marco Antonio Pereira. Como a Guaíba com o Zé Aldo e o Haroldo continuava muito forte, eles vieram para cá, não podiam tirar o Haroldo porque recém tinha saído de lá, levaram também o Zé Aldo. E nós continuamos fortes. Aí buscaram o Wianey Carlet. Assim como levaram em 91 também o Cléber Grabauska, e levaram depois o Luiz Henrique Benfica. Nós éramos todos daquela equipe do começo de 1985.

P.A.: Só você não foi para a Gaúcha?
L.C.R.: Eu fui convidado três vezes pela rádio Gaúcha. Aqui eu sei onde eu piso. Não que lá eu fosse arriscar a minha carreira, mas já me acostumei com a Caldas Júnior. E tenho aqui o que acho importante: uma boa remuneração, uma boa condição de ir buscar comerciais. Sempre tive um excelente relacionamento com a diretoria, não é porque sou chefe hoje. Sempre tive portas abertas para discutir questões de programação, de elogiar as pessoas que estão aqui dentro e que às vezes não são percebidas porque o chefe tem mil obrigações.
Só para não confundir as coisas. Aquela turma do começo, Wianey, Zé Aldo, também viviam um desafio, como eu. Quando assumi o cargo em 99, pedi para o doutor Carlos Ribeiro o seguinte: mesclar jovens que eu ia "inventar" - da faculdade, do meio, que estavam aí com o sonho de ser radialista com curso da Feplan e tal - com algumas possibilidades que existiam no mercado, como João Carlos Belmonte, voz bonita, símbolo da velha Guaíba, Milton Ferreti Jung, que não queria mais narrar, Mário Lima. Enfim, eu tentei também pegar gente de poder. Tentei fazer uma dobradinha Haroldo e Mário Lima. Não foi só invenção, só desafio. Agora, hoje dia é raro eu fazer isso.

P.A.: O que você faz hoje em dia?
L.C.R.: Pego gente nova. Eu peguei um guri que tinha o apelido de "mata-cachorro", o Rodrigo Ramos. Ele matava "cachorro" dos programas de debate. As pessoas chutavam alguma coisa no microfone e ele, de casa, corrigia as pessoas. Um dia o João Garcia me comentou sobre ele. Pedi para mandá-lo aqui e contratei. No começo como contínuo, depois como rádio-escuta e hoje ele é produtor. Eu faço essas loucuras.

P.A.: O Renato Martins disse, na entrega do Prêmio Press, que fazia parte de uma geração sanduíche, porque estava imprensada entre os mais velhos consagrados e uma juventude que ocupava espaços. Você acha que está na hora do rádio gaúcho se renovar?
L.C.R.: Aquela geração sanduíche eu me incluo. Só que na época, estava quase tudo concentrado na rádio Gaúcha. E quando os Ribeiros compraram, quiseram dar uma nova cara, uma nova Guaíba. Eu me lembro que quando comecei a fazer microfone, os caras diziam para mim "terminaste com o "estilo Guaíba"". Eu acho que eu terminei, porque, quando eu vim para cá, a programação era toda abotoadinha e eu, por dificuldades, por necessidade de interagir com os ouvintes, liberei telefone, para encher lingüiça mesmo, porque não tinha gente para produzir, então era tudo comigo. Telefone dentro do estúdio e "vamo lá".

P.A.: Você fez uma rádio do interior sem nunca ter trabalhando numa rádio do interior.
L.C.R.: Exatamente. Eu fiz um preenchimento de espaço por necessidade. Eu fui aprendendo aos trancos e barrancos. Eu tinha bons mestres, o Lasier, o Érico, o Antônio Augusto, o Samuel de Souza Santos, Paulo Cagliari, Lupi Martins, Laerte de Franceschi. Eu peguei essa gente toda. E para mim era uma dor cada um que saía. Parecia que eu estava perdendo um pedacinho. Eles foram deixando e eu fui crescendo, não tinha ninguém mesmo. Não tem tu, vai tu mesmo. Eu cobri incêndio, eleição, seqüestro.
Eu nunca me esqueço: o Flávio Alcaraz Gomes tinha um programa, Fórum Guaíba, das 10h ao meio-dia. Eu cheguei em São Paulo e tinham desvendado o mistério do presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz (seqüestrado entre 11 e 17 de dezembro de 1989). Liguei a TV (no hotel) e a Bandeirantes dá a notícia. E as outras TVs não dão nada. Eu digo, "bem a Bandeirantes me chega, vou noticiar". Foi a segunda rádio a dar no Brasil a noticiar. E o Flávio, que é crítico pra chuchu, ele conhece quem tem condições e quem não tem, muito esperto, muito inteligente, um dos melhores jornalistas, se não o melhor, que conheci, mandava eu seguir. Como eu tinha a Folha de S.Paulo, ou o Estadão, não lembro bem, eu ia lendo.
Aí, o Zé Aldo Pinheiro, que era meu companheiro para a jornada, chegou e eu disse: "Zé Aldo, você está na praça tal, o delegado é fulano de tal. Agora, vai lá para o banheiro", tinha uma extensão do telefone, "e eu vou dizer vamos ao local tal. Nós vamos ter que fazer esse Fórum inteiro, o Flávio só está botando o comercial de lá". E eu dublava a TV Bandeirantes e o Zé Aldo entrava da "praça". Nós demos um show, era para ter ganho prêmio, mas na época eu não me inscrevia em nada.

P.A.: Você nunca pensou em passar para outros setores, como política, geral, etc.?
L.C.R.: Eu fiz várias coberturas. Mas quando eu entrei no esporte tinha pouca gente, precisavam de mim. Quando eu cresci, eu quis fazer Copa do Mundo, Libertadores da América, eu me enfeitei, né? Houve chance de fazer outros programas, mas o próprio doutor Carlos Ribeiro não me vê diferente do que eu sou, chefe de equipe, apresentador, comentando alguns jogos, e especialmente estando à frente do microfone nas jornadas esportivas. Eu algumas vezes brinco, "olha eu vou largar, vou sair da reportagem", mas os outros falam "nem faz isso". Eu acho que faço razoavelmente bem. Eu, e o Haroldo, o Edegar somos os mais antigos e mantivemos essa audiência alta da Guaíba. Mesmo que o Ibope nos dê tão pouco, não tem coragem de nos dar muito menos que 30%.
Agora, eu fico orgulhoso, sabendo que o Ibope era contra nós, de ter às vezes, vantagem na programação da noite. Eu sei que isso vai irritar muita gente. Vão querer contestar e tal...

P.A.: O Plantão Esportivo?
L.C.R.: Eu comecei às 23h30min, que era o plantão. Mas fui negociando com o doutor Carlos Ribeiro, vendendo publicidade, abrindo espaço. Puxei o programa aos poucos até chegar às 22h30min, para bater a concorrência. Eu sempre quis guerrear com eles. Então, quando eles entravam com esportes, eu já tinha "inventado" um monte de histórias aqui, já tinha colocado bons entrevistados, já tinha feito polêmica, já tinha dado discurso. Depois, o doutor Carlos resolveu mudar a programação da noite e me deu mais espaço, das 20h10 às 23h. Aí, era um plantãozaço. Criei um monte de quadrinhos, coloquei a minha cara e "vamo pro pau". Eu brigava a primeira parte com um apresentador e depois com outro. Então, era difícil. Só que eu conseguia polemizar com os dois.
No começo, quando era das 22h30min à meia-noite, ali era bonito. Muitas vezes eu apareci na frente no Ibope e eu não olhava o Ibope. Quem me contava era o pessoal da rádio Gaúcha. E aí eles me convidaram.

P.A.: Foi a primeira vez que te convidaram?
L.C.R.: A primeira vez, na verdade, quem me sondou, em 85, quando saiu daqui foi o Lasier Martins. Eu disse para o Lasier: "Não, eu já estou fazendo o plantão na Guaíba. Vou ficar. Tu mesmo me disseste uma vez que rádio era a Guaíba, apesar de estar quebrada e tal e eu resolvi apostar em mim". Eu senti que eu tinha chance de crescer. Eu via um caminho aberto.

P.A.: E o segundo convite?
L.C.R.: Foi em 92, 93, quando aparecia às vezes na frente, a terceira foi em 2000. Eu comecei a negociar com o Roberto Paulleti, depois com o Rogério Caldana e por fim, na última reunião, como eles ainda tinham alguma dificuldade de me convencer, de tanto que eu sou atrelado na Guaíba, o Geraldo Correia participou. Aí eu disse para o Geraldo: "Eu tenho algumas arestas aqui dentro, eu já critiquei muito a rádio Gaúcha, eu teria dificuldades". E o Geraldo disse para mim: "Esquece.Você é um cara talentoso, ninguém vai te incomodar aqui dentro, ninguém vai te barrar".
Não fui. Aí, fui receber o Prêmio ARI no Banrisul, em 2000, o Geraldo Correia me disse: "Quantos anos tu tens?", "36", eu sei tudo isso de cor, porque é verdade, as pessoas estão aí para confirmar. Ele disse: "Quando tu quiseres ir para a rádio Gaúcha, tu vais ir. Eu tenho a impressão que até os 40 anos tu vais para a rádio Gaúcha". Eu já tenho 43. Mas nesse período foi muito interessante o que eu ouvi em rádio.

P.A.: Por quê?
L.C.R.: Quando eu ainda estava negociando, um repórter graduado lá dentro disse para um colega meu, que hoje está na Gaúcha: "Teu chefe foi visto na RBS pedindo emprego".

P.A.: Repórter de esporte?
L.C.R.: Os dois. Um é ex-esporte e o outro ainda está no esporte.

P.A.: Vou ter que descobrir por mim mesmo.
L.C.R.: Eu prefiro que escreva assim, porque ele vai saber quem é. Eu respondi para o meu colega que estava negociando há um mês, mas não tinha ido pedir emprego. Passou um tempo eu disse "não" para o Geraldo, pro Rogério e para o Pauletti, e era uma proposta que na época sete vezes mais do que eu ganhava aqui.

P.A.: Isso é paixão pela Guaíba...
L.C.R.: Aí, o doutor Carlos me perguntou "o que você quer para ficar?".

P.A.: Sete vezes mais.
L.C.R.: Não. Eu disse "o dobro que eu ganho e outras vantagens". Então eu passei a ganhar três vezes menos o que me ofereceram. Têm outras histórias que eu vou contar, eu nunca contei isso. Aí, chegou em mim, agora em 2006, a seguinte informação: "É verdade que fulano vem vindo para cá?". O mesmo que disse, em 2000, que eu tinha ido pedir emprego lá. Só que não é verdade. Ele nunca foi cotado para vir para cá. Até sei que a direção não tem tanta simpatia por ele. Uma vez eu pedi para ele vir para cá. Eu ajo um pouco diferente. Minha maneira de agir não é "dando que se recebe". Não tem problema: o cara é bom, pode vir trabalhar do meu lado. Não vai me engolir. Se eu tiver que sair daqui porque ele tem que vir e vai ocupar o meu lugar, não tem problema. Só que a direção prefere eu a ele.

P.A.: Ele já trabalhou aqui?
L.C.R.: No começo da carreira. Quase todos trabalharam aqui. Aliás, a verdadeira escola do rádio é aqui. Aí eu disse, há poucos dias: "Olha, alguém que disse que eu fui pedir emprego na RBS, hoje liberou no mercado que estaria vindo para a Caldas Junior. Infelizmente não está porque ele é um grande profissional". Esta é uma história.
Outra história daquela época (2000), é de um grande amigo meu, que fazia parte do pequeno grupo da faculdade, amigão de ir a jogo de futebol junto, de passear junto, fazer refeição na casa dele, vai ficar brabo comigo, quem sabe, depois de ler isso aqui. Não sei se ele fez de propósito ou não. Um dia fui comentar um jogo para a rádio Guaíba, eu sempre fui eclético. Eu não sou comentarista não por não ter condições, mas porque não quero ser. Na época do Luís Carlos Oliveira, do Paulo Sérgio, do Wianey, eles queriam me lançar. Eles achavam que eu ia ser o novo Lauro Quadros. Vários me disseram isso. "Você tem o estilo do Lauro. Você tem a verve do Lauro, o carisma. Vai ocupar o espaço que o Lauro deixou no rádio, você vai se destacar. Vai ganhar fortunas". Eu nunca me enfeitei. Eu achava que era um bom repórter, quem sabe até com as características do Lauro ou com um pouco das características de cada um que eu ouvia: do Laerte de Franceschi, do Lupi Martins, do Lasier Martins, Belmonte.
Então esse colega (de tempos da faculdade), estava ao lado de um narrador, famosíssimo na praça, e não me cumprimentou... Eu não tenho nada contra ninguém. Na minha cabeça, vou morrer sem nenhum inimigo. Quem me tem como inimigo, não vai ter reciprocidade. Eu não tenho raiva de ninguém, não seco ninguém.

P.A.: Nem a rádio Gaúcha?
L.C.R.: Nem a rádio Gaúcha. Eu concorro com eles. Eu não quero que termine.
Eles até me arrumaram esse aumento que eu contei aí... Não tenho ódio de ninguém. Juro por Deus, pode colocar esta expressão. Eu sou um cara cristão, vou à missa, peço perdão a Deus quando acho que exagero. Ainda sou desses carolas. Fui formado na Igreja Católica. Só que eu não levo desaforo para casa. Estou abrindo o meu coração aqui.
Eu tenho certeza de que vai ser muito lida esta matéria. Até o fim. E eu vou guardar como a matéria da minha vida, porque eu nunca disse tudo isso. Eu já disse no microfone, aos poucos. Agora, no papel eu sei que é mais caro, é mais complicado. Mas não tem problema, eu sei que isso aí pode dar até alguma aresta. Mas os companheiros, lendo isso ai, vão pensar e vão refletir que tem o outro lado sempre na vida. Tem um velho ditado que diz: "Nunca desprezes quando estiveres subindo, pois poderás encontrar quando estiveres descendo". Alguém disse, uma vez, que só tinha vida trabalhando na RBS. Quem não trabalhava na RBS não era jornalismo, era uma espécie de segunda divisão. Eu achei aquilo muito engraçado, na época. Todos esses motivos fizeram com que eu não fosse para a RBS e continuasse encarando como lema de vida emparelhar. Hoje, a Bandeirantes faz um jornalismo extraordinário. A Caldas Júnior tem uma conduta histórica e também faz uma boa cobertura em todos os aspectos. A rede Pampa surgiu com força.

P.A.: Aumentou a concorrência. Tá ficando difícil?
L.C.R.: Eu fico feliz com isso. A dificuldade só me dá prazer. Eu não gosto é da violência, do exagero que o Ibope fazia. Não gostava da prepotência de alguns discursos históricos de quem agora está até largando o microfone, dizendo que é isso, é aquilo, com uma ênfase espetacular para pisotear nos outros, às vezes. Isso aí nunca engoli e nunca vou engolir.
Bom, eu estava falando desse colega dos tempos da faculdade. Cheguei em Caxias, no estádio Centenário, para comentar um jogo. As cabines são coligadas, e eu olhava para o cara, para cumprimentar, porque sempre foi meu amigo, e é até hoje. Ele não me olhou. Uma que ele estava do lado de um futuro possível chefe dele, e o chefe tinha algumas arestas comigo, e ele também não podia ficar mal com o cara que estava do lado dele.

P.A.: Foi uma decepção?
L.C.R.: Uma decepção "calculada", porque eu sabia que tinham vários de "biquinho" lá dentro quando eu fui convidado, e alguns não me cumprimentavam mais quando eu ia nos estádios. De uma hora para outra. Até entendo a defesa da "pátria", a defesa do veículo. Só que mudar tanto... Eu não sei se era medo de perder posto, porque iam perder, obviamente, eu não iria para lá para ser um mero coadjuvante. Ninguém ia me tirar da lendária Caldas Junior, a empresa que eu sempre amei e trabalhei e fiz minha vida e ganhei tudo que eu tenho, só para dizer que fui trabalhar na grande rádio Gaúcha, ou na grande RBS. Eu nunca tive esses pruridos, essas bobagens. Eu quero é saber quanto me sobra no fim do mês, quanto a minha família tem. Eu vou para onde eu possa fazer o melhor jornalismo partindo de mim. Não só do contexto. "Tem que analisar o contexto", mas daqui a pouco o contexto me esquece. A Caldas Júnior nunca me esqueceu.

P.A.: Você se sente um vitorioso?
L.C.R.: Eu me sinto um vitorioso. Tem gente que me trata como fenômeno, até. Mas eu não. Acho isso besteira. Mas estava contando as histórias. Vou contar a terceira história de "por que não". Eu tenho o lado mauzinho também, não sou este santo todo.

P.A.: Depois conta o lado mauzinho também.
L.C.R.: Estava indo para casa e um cidadão, não vou dizer se está nesse rol que falei há pouco, mas esse cidadão disse: "É, falam mal mas depois vêm aqui pedir emprego". Aí eu peguei o meu telefone, liguei, entrei no programa do Rogério Boelke, que era o "Último Toque", e disse: "Rogério, a partir de hoje, eu sei que muita gente não vai entender o que eu estou falando, eu vou dizer o seguinte, "eu trabalho onde quero, quando quero, ganhando quanto eu quero e com quem eu quero"", uma coisa assim. Chutei o balde. Não era convite só da rádio Gaúcha, era da RBS, para trabalhar na TV COM e na RBS TV. E disse: "E quero agradecer aqui o convite da RBS e vou ficar na Caldas Júnior".

P.A.: E o lado mauzinho?
L.C.R.: Claro, os colegas que lerem isso vão dizer "ele só contou a parte boa". O lado mauzinho é que às vezes eu perco o controle.

P.A.: A impressão que você dá é ser pavio curto...
L.C.R.: É o seguinte: eu ouvia demais e eles, sabendo que eu era meio pavio curto, me cutucavam e eu dava-lhes ferro. Só que hoje, eu fiz um acordo com o pessoal do esporte: não me contem. Se alguém me der uma letrinha no ar, não me contem. Se por uma desgraça eu ouvir, vai ter troco. Eu pedi a Deus que eu não ouça e que eles não me contem. Aí melhorou o relacionamento, em termos. Como eu sou um cara forte no meio, ganho prêmio Press, no outro ano ganho o Prêmio ARI, isso às vezes faz mal para as pessoas. Para mim, quando os outros ganham, seja de qualquer veículo, é motivo de felicidade. "Pô, o fulano ganhou, que legal".
Outra coisa que quero dizer a respeito do Prêmio (Press) é o seguinte. Eu vi que o Prêmio valia muito e até mais do que eu e vocês imaginam, quando algumas pessoas não me cumprimentaram. Alguns colegas, parceiros históricos.

P.A.: Aqui mesmo?
L.C.R.: Aqui mesmo.Em 99, algumas pessoas me ligaram para dar parabéns, quando assumi a chefia de esportes, o que era quase uma coisa óbvia. Eu já tinha sido cogitado outras vezes, eu já era velho na Caldas Júnior, entrei em 85. Podia ser sempre a minha vez. Não é que eu não quisesse, eu queria continuar fazendo o que eu sabia fazer. Por que ser chefe? Para ganhar um pouco mais? Ia ter que parar de fazer setor, que eu gostava de fazer? De dar furo na concorrência? Modéstia à parte, eu me denominava de "Reche fura-fura". Duvido que alguém tenha dado mais notícia em primeira mão do que eu. Duvido. Nem metade. Eu sou pretensioso nisso, porque era escravo da notícia. Os dirigentes que lerem esta matéria vão dizer "esta mala me ligava 80 vezes por dia". Os empresários de futebol e os ex-atletas vão dizer a mesma coisa. Eu sempre fui trabalhador. Talentoso me disseram que eu era depois. Eu até não me acho tanto. Mas, trabalhador, isso ninguém pode me tirar.
Então, poucos, dois ou três, mas influentes, não me cumprimentaram. Uns me cumprimentaram uma semana depois porque acho que alguém deve ter dito e eles ficaram com vergonha. E estes, não é que ajudei, mas nunca soneguei nada. Nunca me encolhi. Mas é importante pra gente avaliar. Não para a gente marcar, para ter raiva. Como eu disse, quero morrer sem ter nenhum inimigo.
Uma vez, um colega chegou na minha sala para se despedir, eu disse: "Eu sei que você acertou, que seja feliz e tal". Aí, fui para casa. Estou ouvindo, e o cara falando da nossa concorrente como se fosse a maior rádio do planeta Terra. Tendo ganho todas as oportunidades aqui. E eu, como você disse, pavio curto, explosivo, liguei para o celular do sujeito e disse: "Pô, que decepção". O cara se explicou e tal. E eu, não contente com isso, não por ciúmes, mas para defender a minha "pátria", eu fui para o microfone e fiz uma frase de efeito: "Olha, não contratem o cara como sendo o Pelé porque ele é só um..." e dei o nome de um jogador comum. Parece que esse apelido até pegou e eu me arrependi de ter feito isso. Virou uma coisa pejorativa. Aí, o cara ao invés de ficar brabo com quem o chama desse apelido e me perdoar porque foi uma coisa momentânea, e eu tinha dado chance para ele, ele ficou meu inimigo. Não me cumprimenta, também. Estou dizendo aqui, publicamente, que até me arrependi de ter dito aquilo, mas ele deveria ficar brabo com quem o chama dessa forma, não comigo.

P.A.: Você não acha que tem futebol demais na programação de rádio?
L.C.R.: Sabe o que acontece? O futebol nos dá um relacionamento muito amplo. E a gente se oferece, não oferece a programação da rádio. "Quer comprar o meu programa?" E os nomes do esporte ainda são os de maior peso. Eu sei que a rádio Gaúcha está mudando um pouco isso, está colocando jornalista apresentando programa de jornalismo. Aqui na Guaíba, eu, pelo menos, tenho mais facilidade de vender a programação esportiva. E eu sempre fui muito fominha, sempre pedi mais espaço. Eu pedindo mais espaço aqui, os concorrentes pedindo mais espaços lá para não perder para cá. Quem sabe eu seja um dos culpados com que tivesse mais esporte. Outra, a Bandeirantes é terceirizada. O espaço da Bandeirantes tem que ser grande para quem terceiriza poder buscar o dinheiro. E nós não podemos ficar para trás, e assim vai. Agora, proporcionalmente a programação esportiva é a menor que tem. Seis horas, mais ou menos, em cada rádio. Já calculei. E sobram 18 horas. O jornalismo que faça bom uso dessas 18 horas. Mas eu sou fominha, não gosto de abrir mão do espaço de sábado e domingo para ninguém. Em respeito aos ouvintes, em respeito a quem é fanático. O ouvinte de rádio, no esporte, sabe tudo de cor. No esporte, ninguém engana. Se o cara disser que o jogador curou as bolhas e no outro dia ele não jogar porque está com bolhas, a corneta vem direto. O repórter de política, de economia se prepara um pouco e dá conta do recado. O repórter de esporte, embora digam que é alienante - é alienante no sentido de passar uma informação que não vai salvar a pátria, isso sim, se a gente pegar por esse ângulo, sim - no sentido de se preparar, eu não tenho dúvida de que o repórter esportivo é o mais bem preparado de todos: ele não pode vacilar. Se ele disser uma bobagem, vai tomar um xixi meu e da sociedade.

P.A.: Vamos fazer um bate-bola. Música?
L.C.R.: Qualquer uma. Eu sou, às vezes brega, às vezes chique. Posso ouvir Richard Clayderman como Teixeirinha, a Royal Philarmonic como o Gildo de Freitas, o Reginaldo Rossi. Gosto do estilo brega do Silvio Santos apresentando programa e apresentando aqueles artistas das décadas de 70, 80 e 90. Eu sou um cara alegre e por si só, gosto de qualquer coisa.

P.A.: Gosta de ler?
L.C.R.: Alguém me disse uma vez que a gente tem que se inteirar das coisas na área em que vai trabalhar. Então, eu tenho muito pouco tempo, leio tudo que é coisa de esporte. No mais eu leio a revista Veja, nem que seja só as Páginas Amarelas, e algumas reportagens, leio o Correio do Povo diariamente. Não é nada contra os outros jornais. Eu fico sabendo dos outros jornais pelo que me contam. Eu estou perdendo um pouco essa frescura de só assinar o Correio do Povo, eu vou acabar assinando os outros jornais, para me informar melhor.

P.A.: E filme, tem ido a cinema?
L.C.R.: Não, faz mais de cinco anos que não vou a cinema. É um crime. Em casa, minha mulher às vezes me força a assistir a um filme que ela aluga. Eu gostava de filme de aventura, de mistério. Mas não tenho tempo. Se tiver tempo, vou apanhar da mulher, mas vou assistir esporte, ou para ser parceiro dela, novela e jornal. Eu me informo também pelos telejornais, que são muito bons. Eu não sei escolher qual das quatro (Globo, Bandeirantes, Record e SBT) faz o melhor jornalismo. A Globo tem mais recursos, mas a Record... Eu vibro quando vejo elas reagirem. Sem secar a Globo, mas vibrando com a ascensão das outras.

P.A.: Comida preferida?
L.C.R.: Quando a gente fica muito tempo sem comer arroz e feijão, 60 dias em Copa do Mundo, volta a ser arroz e feijão. Se não é churrasco. Churrasco no Barranco.

P.A.: Bebida preferida?
L.C.R.: Gosto de vinho, como bom gringo. Mas eu tomo hi-fi, por ter sido bodegueiro, tomo vodca com Coca-Cola. Não dá para tomar muito por que isso arrebenta o fígado. Não sou muito de uísque, não gosto de tomar vodca pura. Isso aí é crueldade, cachaça pura é crueldade. Mas cerveja e vinho, bebo bem. O que é beber bem? Não gosto de me sentir bêbado fora de casa. Em casa, bebo um pouco mais.

P.A.: Cor preferida.
L.C.R.: Essa é perigosa.

P.A.: Aliás, lá em Lagoa Vermelha você torcia para algum time?
L.C.R.: Torcia sim.

P.A.: Para qual?
L.C.R.: Portuguesa de Lagoa Vermelha.

P.A.: Nunca torceu para outro?
L.C.R.: Eu torci para um time da capital obviamente, se não, não seria radialista esportivo. Quem diz que não torce para time nenhum é cretino. Eu torço para um time e uma boa parte da população sabe. Mas eu prefiro aquela frase do Cid Pinheiro Cabral que dizia em relação à preferência dele: "Eu nunca precisei dizer", dizia o Cid na época, "que era colorado. Sempre confiei na inteligência dos leitores". E outra, isso não muda nada. O cara tem que ser honesto. Normalmente, o cara bate mais no time pelo qual torce. O cara tem que cuidar para não transferir para o microfone uma necessidade dele, de ver aquilo acontecer. Mas eu tinha um time obviamente, em Gre-Nal eu levantava o volume no bar quando saia gol do meu time, irritava os concorrentes. Um torcedor como qualquer outro.
Minha cor preferida. Olha, eu gosto bastante do azul claro para vestir com gravata, uma cor puxando para o rosa, um vermelhinho bem clarinho. Casa bem com gravata. Terno, eu gosto de preto.

P. A.: Três jornalistas.
L.C.R.: Vou fazer injustiças. Mas se forem três: Lasier Martins me deu a primeira chance, o Lauro Quadros sempre gostei do estilo, sem copiar, porque eu não copio ninguém. O Milton Jung é meu paisão, me corrige tudo. E o Flávio Alcaraz Gomes.


 
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