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Jurandir Soares dos Santos

Especialista internacional



Tenho a satisfação de ser um dos poucos jornalistas da Terra especializado na análise do noticiário Internacional. Este encaminhamento deu-se logo depois que me formei, na Famecos, em 1970. Minha vontade era dedicar-me à área esportiva, pois sempre gostei de futebol. No entanto, vivíamos a época das grandes transformações no mundo, decorrentes da Revolução de 1968. Uma guerra me intrigava, a do Vietnã. Havia passado pela faculdade e feito múltiplas indagações, porém não obtivera nenhuma informação convincente. O mundo vivia o auge da Guerra Fria, uma confrontação entre o Leste e o Oeste, representados por União Soviética e EUA, duas potências com armamentos para explodir o mundo várias vezes e que mantinham o chamado “equilíbrio do terror”.
Em dezembro de 1971, eu realizava o que era um sonho para muitos jornalistas recém-formados, trabalhar na Folha da Tarde, o “Vespertino da Cidade”. Comecei como redator da Geral, mas não tardei a passar para a Editoria Internacional, então comandada por um colega inesquecível, Bolívar Grisólia, que me deu o impulso para avançar na área. Em pouco tempo eu era responsável por uma página inteira do jornal, chamada de “Repórter Internacional”. Era a abordagem e a análise do fato mais importante do dia, relatando o seu histórico e fazendo as possíveis projeções futuras. Como se tratava de um trabalho mais aprofundado e especializado, tratei de aprimorar o conhecimento, indo realizar curso de pós-graduação na área de Ciência Política, buscando a especialização em Relações Internacionais.

A repercussão deste trabalho na Folha da Tarde foi tanta que, em fevereiro de 1980, fui convidado pelo governo americano a passar um mês nos EUA, para visitar os principais órgãos de comunicação e fazer contatos com cientistas políticos e especialistas em Relações Internacionais.

O trabalho na área internacional provocara outra grande indagação: por que árabes e judeus viviam brigando? O Oriente Médio era tema permanente dos noticiários e isto me fez mergulhar fundo no assunto, estudando o histórico daqueles povos. Nesses estudos deu para perceber que tinha um povo que havia perdido a sua terra, o palestino. E que, assim como o povo judeu, tinha direito ao seu território. Passei a defender esta tese na coluna diária da Folha, o que me valeu inúmeras críticas de judeus mais radicais, sendo, inclusive, tachado de antissemita. Eu me tornara uma das poucas vozes a defender o direito dos palestinos.
Foi mais um trabalho com reconhecimento internacional. Um ano depois da visita aos EUA era convidado a visitar a Arábia Saudita por uma carta assinada pelo rei Khaled. Assim, em junho de 1981, eu descia nas tórridas areias de Riad para conhecer usos e costumes da comunidade árabe, assim como os inúmeros projetos que os petrodólares árabes impulsionavam pelo mundo afora. E, logicamente, a posição das monarquias do Golfo Pérsico (que eles chamam de Golfo Arábico) sobre o conflito árabe-israelense. Foi uma experiência diferente da dos EUA, onde a imprensa é forte e livre. Porque esta falta de informação, ou a informação direcionada pela imprensa oficial, era compensada pelo contato direto com o dia a dia da população, sentindo suas agruras e suas conquistas. Muito mais conquistas, possibilitadas pela riqueza do petróleo, que davam aos sauditas os melhores empregos, deixando os mais comuns para os imigrantes de outras partes, como Sudão, Bangladesh, Iêmen, etc.

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