O MUNDO DÁ VOLTAS
Eu preferiria fazer páginas e páginas de desenhos, layouts, fotos, colagens e mais tudo o que fosse preciso pra mostrar minha vida como diretor de arte, mas infelizmente pediram pra eu escrever. Foi mais difícil, mas saiu alguma coisa. Resolvi mostrar e dividir minha vida de criativo em 8 partes. 8 partes da minha vida; 8 fontes de inspiração.
1. As últimas folhas do caderno Sempre curti muito mais as últimas folhas do caderno do que aquelas em que escrevíamos as matérias e tudo o que envolvia as aulas do colégio. Pois era ali que eu tinha mais liberdade para rabiscar e desenhar. E foram naquelas páginas que começou o interesse por desenhos mais gráficos, desenhos de fontes, logotipos e etc.
Foi nessa época que eu descobri que queria trabalhar com criação e mais especificamente com direção de arte. Eu tinha uns 15 anos e junto com alguns amigos resolvemos formar uma banda de rock. Obviamente cada um dos integrantes ia ter que fazer alguma coisa na banda. Eu nem sabia o que iria fazer pra ser um dos integrantes mas já estava preocupado com o nome, e como seria o logo dessa banda. E mais, já procurava referências para uma possível capa do primeiro disco...
É óbvio que logo em seguida saí da banda por total falta de interesse em saber tocar algum instrumento, mas ao menos tive minha primeira marca, o logo da banda, aprovado.
2. O logo do Design Museum Depois de passar por um breve estágio na Unity, uma agência de Relações Públicas das amigas Vivian e Maria Luisa, indicado pelo amigo Fernando Silveira, participei numa seleção na Escala, onde comecei como estagiário.
Isso era 1996. Fui contratado pelo Axel e comecei no mesmo dia que o Guga Ketzer, hoje sócio e diretor de criação da Loducca MPM. (Aqui entra a primeira história em que vejo que o mundo dá voltas e que completarei mais na frente.)
Depois de um tempo como assistente de arte, viramos uma dupla júnior e na época fizemos alguns trabalhos que se destacaram em vários festivais. Colocamos 3 anúncios na Revista Archive, um anúncio no Clube de Criação de SP e tivemos um filme finalista no Clio e no Festival de Nova York. Foi uma período de muito aprendizado e onde conheci grandes profissionais que depois viraram meus amigos como o Axel, o Régis (meu grande professor como diretor de arte) a Cláudia Mainardi, o Pino, Rafa Bohrer, Paola, Alexandra, Magali, Felipe Difenbach, Rodrigo Corbari, Magrão e Marco Loco, só pra ficar na área da criação.
Nessa época, comecei a comprar algumas revistas que começaram a chamar minha atenção. E desde então não parei mais. Wall Papers, Dazed and Confused, Spin, The Face... Tudo o que era tipo de revista que tinha a ver com arquitetura, comportamento, moda, fotografia, arte e que tinha um projeto gráfico legal eu comprava.
Curto muito revistas por dois motivos: primeiro porque ali podemos ver o que vem sendo feito em termos de anúncios para as mais diferentes marcas e também porque curto os projetos gráficos das revistas em si. Acho que a utilização da tipografia, da fotografia e dos elementos gráficos é uma bela composição e uma excelente fonte de inspiração. Nessa época, e isso já deveria ser 1997, fui viajar com meu irmão Fernando para a Europa, onde tive meu primeiro contato com Londres.
Lá conheci alguns lugares, lojas, livros, revistas e embalagens que começaram a ajudar na minha formação e também como fonte de inspiração. O logo do Design Museum na época foi um deles. Lembro que ele era desenhado numa simplicidade absurda, na medida que ele unia a letra n do final da palavra Design com a letra m, que iniciava a palavra Museum. Todo feito numa fonte Garamond cinza e preto. Aquela marca foi uma coisa que nunca mais saiu da minha cabeça. Pela sua simplicidade e pela sua beleza. Comprei uma camiseta com esse logo e tenho ela até hoje. Bem velha, bem surrada, mas continua lá, quase virando um quadro.
Matéria na íntegra na revista Press Advertising |
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Julio Ribeiro
Jornalista |
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