Lá pelos idos de 1994, esperei meses na fila para receber meu primeiro celular, um Motorola enorme, que mais parecia um tijolo. Sua bateria, por ainda estarmos utilizando linhas analógicas, durava de três a quatro horas, no máximo. E, como fui um dos primeiros a adquirir um desses, não tinha nem para quem ligar. Um pouco mais tarde, em 1996, trouxe de Nova York um avançado modelo StarTAC, da Motorola, o menor e o mais leve do mundo(apenas 88 gramas) e que impressionava a todos com seu design futurista. Era um baita símbolo de status na época.
De lá para cá, muita coisa mudou, de analógico para digital, das redes 2G para a rede 3G e o surgimento dos verdadeiros telefones celulares multimídia, chamados de smartphones ou telefones inteligentes, apresentando largura de banda ampliada e taxas de transferência para acomodar aplicações baseadas na Web e arquivos de vídeo e áudio.
Mas o pano de fundo deste artigo é a minha completa e absoluta entrega ao mais perfeito smartphone já lançado no mundo, o iPhone 3GS. Esta joia da tecnologia consegue fazer com que o ato de telefonar para alguém fique completamente secundário no uso diário do aparelho. Para mim, é muito mais que um celular. É um completo computador móvel. Faço fotos (de ótima qualidade, por sinal) e vídeos, escuto músicas, acesso meus mails, navego na web, atualizo meu Tweeter, publico posts no meu Blog e fotos no Flickr, me oriento nas ruas das cidades por onde viajo com um aplicativo de GPS super eficiente e muito, muito mais. Ah, e até faço umas ligações de vez em quando. Como um assumido early-adopter, esperei tempo demais para sucumbir a este maravilhoso gadget.
Li, dias atrás, uma matéria falando que os iPhone addicts, ou seja, os viciados nesta traquitana, sofrem da Síndrome de Estocolmo, que é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor, ou de conquistar a simpatia do sequestrador. Nada mais verdadeiro. A cada dia, me deparo com aplicativos fantásticos na App Store (de um total de 140.000 deles) que custam de zero a poucos dólares e que potencializam o uso desta traquitana, nos deixando cada vez mais dependentes da mesma. Mas a verdade é que, em contrapartida, reduz o nosso tempo de uso de um computador convencional, já que a maioria das aplicações agora podem ser resolvidas através do iPhone mesmo. Sempre fui fã dos produtos da Apple e agora ela vem com mais uma novidade de cair o queixo. O novíssimo iPad é realmente sensacional e cria uma nova categoria, como foi o iPod para os players mp3 e o iPhone para os smartphones. E foi lançado no timing certo, como os 2 sucessos anteriores. Nunca se falou tanto nos e-books (como o Kindle) e nos netbooks como nos últimos meses. E a Apple lança na hora certa algo muito melhor que um livro eletrônico e mais user-friendly do que um pequeninho e fraco netbook. E, nesta verdadeira comoção que um lançamento como este causa nos gadgetmaníacos, aparecem bobagens como as que tenho lido de fãs da Apple decepcionados pelo iPad não vir com uma câmera embutida, como o iPhone. Pelo amor de Deus, podem imaginar alguém tirando uma foto com o iPad??
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