Por: Julio Ribeiro e Marco Antonio Schuster Fotos: Lucas Uebel
Eu repito a piada e ninguém reclama
Ele é gaúcho de Passo Fundo e trata todo mundo com irreverência. Quando o chargista Marco Aurélio Campos de Carvalho disse o nome completo a Carlos Nobre, ouviu uma piada de comentário: “És o primeiro chargista ecológico do Brasil”. Nasceu num dia 29 de fevereiro, mas não diz o ano, manda a gente adivinhar ou procurar no Cartório. Não nos demos a esse trabalho.
Tentamos adivinhar. Neste 2010, completa 40 anos de Zero Hora, mas antes disso trabalhou na TV Piratini, canal 5, fazendo cartuns animados ao vivo. Foi por gostar de rabiscar que fez o curso de desenho industrial no Colégio Álvares Penteado em Mogi das Cruzes (SP), com Aluísio de Souza, o cara que desenhava as cédulas do dinheiro brasileiro. Ele morou alguns anos lá, com avô e tias, depois que os pais se separaram em Passo Fundo. Retornou à sua cidade sem concluir o aprendizado em desenho industrial. Morando novamente com o pai, foi aluno interno por pouco tempo, e começou a praticar seus esportes até hoje prediletos: basquete, vôlei e futebol. Mas em pouco mais de um ano transferiu-se para Porto Alegre.
Conseguiu trabalho em agências de publicidade e em seguida na televisão, mas confessa que foi com a charge diária que conseguiu definir o traço. Já foi direto do Departamento de Divulgação da RBS, que produzia comerciais da empresa, e até dois meses atrás fazia as chamadas da Zero Hora veiculadas na RBS TV. Houve época que trabalhava 12 horas por dia. Atualmente faz a charge da página 3 e uma página nas edições dominicais de Zero Hora. Esse material já rendeu oito livros e alguns prêmios. Porém, um dos que mais aprecia não está em troféu ou certificados: uma charge que serviu de tema para redação de um vestibular em São Paulo.
É casado com Scheila e pai de Andréia e Cláudia, que moram em San Diego, Califórnia, Estados Unidos. Ainda não tem netos. Nem sabe se e quando vai abandonar os pincéis.
Como foi o início em Porto Alegre? Me dediquei à publicidade, entende? Eu comprei uma máquina de quadro a quadro, acho que era a única que tinha aqui, então o pessoal do Jornal Ipiranga, na TV Piratini, não sei se vocês lembram desse jornal, tinha aquele desenho animado, eu fui o primeiro quem fez. Depois o Caruso fez no Jornal Nacional. Eu comecei a fazer desenho animado para DG filmes, que produzia o Grande Jornal Ipiranga.
Com quantos anos? Puxa, é brabo falar disso. Eu tenho 40 anos de Zero Hora. Fiquei um ano fazendo isso na TV Piratini. Aí o Pérsio Pinto, falecido, eu trabalhava com ele, foi trabalhar no Diário de Notícias, e me falou: Marco, me dá uma mão aqui, me faz uma charge pra capa do Diário. Sem remuneração nenhuma, porque eu era muito amigo do Pérsio. Fiz charge de graça durante um ano.
O Diário estava sem chargista naquela época? Sem chargista, o Sampaulo já estava na Folha da Tarde. Acho que foi aí que começou a decadência né?, falta de dinheiro. Aí encontrei o Maurício Sirotsky e ele me falou: “Pô, cara, tu estás aí, trabalhando de graça. Não, vai lá pra Gaúcha já!”. Vim para cá. Naquela época o Ibope, não se tu te lembras, era assim: 10 de novembro, Ibope, 10 de setembro, Ibope, 20 de agosto, Ibope. Então, o pessoal pegava os melhores filmes, o melhor que tinha na televisão e colocava naquele dia.
Entrevista na íntegra na revista Press Advertising
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