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Mitica

O bom personagem é sempre um grande enigma. Eu tenho vários deles, acho até que os coleciono. Não posso juntá-los num mesmo saco de gatos porque alguns são caninos. Como não apetece falar de todos num mesmo texto, até por falta de espaço e tempo, escolhi um que é apropriado ao momento, porque é do ramo e defende a inovação: Walter Longo, que vou tratar por WL.

WL consegue, por exemplo, sintetizar de forma clara e objetiva aqueles impropérios que são resmungados ou vociferados no dia a dia sobre o que emperra o funcionamento das agências de publicidade. Poucos têm a percepção tão aguçada e a coragem tão robusta. E ele diz mais ou menos isso, em termos gerais: as agências construíram suas histórias, suas marcas, abaixando as calças para os clientes. Agora, não são todos que conseguem levantá-las. E é por isso, entre tantos outros motivos, que os problemas entre agências e clientes abundam. E como abundam.
Aliás, vamos desviar para outro personagem e já voltamos. Na capa de uma revista do meio, anos atrás, a foto mostrava um carro estacionado, uma pessoa ao volante e uma mulher de salto alto e minissaia, do lado de fora, abordando-o provocantemente. O carro representava o veículo de comunicação, o motorista era o cliente e a moça era a agência de publicidade. O criador da pérola ilustrativa foi Marcelo Serpa, um dos enigmas da exceção criativa brasileira.

Matéria na íntegra na revista Press & Advertising


 
André Martins
Redator
doandremartins@gmail.com
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