Admitir ser uma pessoa criativa é um tanto pretensioso. Mas como esse é o nosso tema, examinando alguns fatos da minha vida, conclui que tive que aprender a ser criativo desde quando sentei em uma sala de aulas no jardim de infância do Instituto de Educação.
Na hora da chamada ninguém conseguia esconder sua curiosidade, e até virar para trás pra ver quem ostentava tão estranho nome.
Do primeiro ano em diante, era o Sepé e fim !
Já tinha dominado e dado inicio à amizades, que até hoje, sessentão, mantenho com meus ""coleguinhas"", por conta de um grupo chamado """Amigos para sempre"", que reune hoje ""ilustres"" ex alunos do Instituto de Educação.
Na hora de cantar o hino do Instituto, não havia criatividade que pudesse contornar o problema da letra...perfilados em pé no auditório, ouvia-se a introdução executada pela Dona Lélia ao piano, e em coro entoavamos : JUNTAS cantemos, a nossa marcha triunfal...explica-se, o colégio era uma escola normal, formava professoras, só mulheres, portanto o hino foi criado antes de se tornar colégio mixto, e assim acho que é até hoje. Sempre tentei conquistar interesses e amigos, pela simpatia, pela sã malandragem, e se repetiu no Julinho, na Faculdade de direito Cândido Mendes no Rio, et per omnia seculum...
Sem duvidas, um exercicio de criatividade.
Com a vantagem de que ninguém mais esquece do teu nome, hehe Sempre no primeiro dia de aula, no primeiro contato telefônico, ao me apresentar pessoalmente à alguem, pricipalmente fora do estado, ainda é um espanto: Como é mesmo que você se chama ? Provar que apesar do nome eu não sou um "botocudo"", exige criatividade, acreditem...
Agora imaginem nos idos dos anos 1970, me deparando com um Tom Jobim dentro de um estúdio de gravação, ao conhecer o Roberto Menescal, meu chefe na Polygram, Chico Buarque, Carlos Lyra, Jorge Ben, Bethania, Nara Leão, Gal, MPB4, Elis (até nem tanto porque era gaúcha), Raul (o Seixas), Simonal, Luiz Melodia, a maioria carioca, com os quais tive oportunidade de convivio profissional, e eu lá : Sepé Tiaraju...e de los Santos ainda por cima.
Muitos deles foram meus ídolos na adolescência e, claro, não tinham a menor noção do que fosse o significado de meu nome . Foi em uma banca de exame oral na faculdade de direito no Rio, que um curioso professor catedratico da cadeira de direito penal, me perguntou se eu sabia a origem do meu nome. que era o nome de um guerreiro indígena que lutou ao lado dos espanhóis nas missões jesuiticas no Rio Grande do Sul, e que Sepé era o nome dado ao movimento dos trigais, mexidos pelo vento, na lingua Guarani..E que Tiaraju eu não sabia. Ele falou: “Esse radical "tiara" significa algo na cabeça”... ao que eu emendei: “Ele tinha uma cicatriz de luta em formato de lua crescente na testa...”. Bingo !! Descoberta a origem do meu nome.
No meio publicitário gaúcho e brasileiro, que me acolheu e acolhe até hoje, até que já que não causa mais tanto espanto. De vez em quando uma telefonista de agência, fora do Estado, insiste em colocar um acento e uma letra "" r "" no final, tipo: “Sr Séper...”
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