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Paulo Melo

Tem muita agência que promete e não entrega



Por Julio Ribeiro e Marco Antonio Schuster
Fotos: Itamar Aguiar


O último presente de aniversário de 51 anos que Paulo César Melo recebeu foi o Prêmio de Publicitário do Ano 2009 da ARP. Faltavam oito minutos para a meia-noite de 12 de novembro, e segundo sua mãe, ele nasceu às 5h30min de 12 de novembro de 1958.

Apesar da crise, apesar da perda da conta da Renner para a Paim, ele considera 2009 um ano glorioso: além do troféu estadual máximo da profissão, completou 30 anos de Escala, onde é sócio desde 1988 (são mais quatro: Alfredo Fedrizzi, Fernando Picoral, Miguel de Luca, Reinaldo Lopes). Natural de Tubarão, Santa Catarina, mas criado em Porto Alegre desde o primeiro ano de idade.

Natural de Tubarão, Santa Catarina, mas criado em Porto Alegre desde o primeiro ano de idade, quando os pais decidiram procurar um lugar com mais oportunidades.

O pai, Antônio Gonçalves de Melo, morreu há quatro anos, era músico, conhecido como Toninho da Guitarra. “Um artista indisciplinado”, lamenta Paulo, mas habilidoso marceneiro. Construía móveis, microfones e até hoje tem em casa uma guitarra que ele fez.

A mãe, Antonina, tem 81 anos, trabalhou em residências, fábricas e escritórios. Queria que o caçula e único filho homem trabalhasse num lugar assim. Já ele tentou a vida no futebol por duas vezes. Chegou a treinar um ano na escolinha do Inter, era o centroavante veloz que o treinador Jofre Funchal chamava de “cabeludo”, mas saiu ao perder um ano escolar. Quando concluiu o ginásio, cursado no Ginásio da Paz graças a uma bolsa de estudos, decidiu procurar emprego. De dois endereços que a agência de empregos passou, escolheu o de endereço mais fácil para pegar o ônibus. A vaga era para boy da mídia da Mercur Publicidade.

Em 2008, foi indicado pelo Grupo de Atendimento de Veículos para ser o Publicitário do Ano. Perdeu, mas aceitou nova indicação em 2009. É um telespectador apaixonado e fã do controle remoto. Por causa dele, deixou de ser um noveleiro, “graças a Deus”, garante.


O controle remoto ajudou no quê?
A procurar coisa boa para ver. E aí, quando vejo todos os canais, ou seja, não vejo nenhum, faço uma frase: pra que 150 canais se eu sempre acabo no mesmo? Com todo respeito à programação das TVs fechadas, a qualidade é braba. São notícias que se repetem, os filmes, é um absurdo o que se repete.

Mas esse excesso se repete em outros segmentos. O consumidor não fica angustiado quando vai comprar iogurte, xampu, biscoito?
Eu diria que este é o mundo em que a gente está vivendo hoje. Várias opções de tudo. Quando eu comecei a dirigir, tinha o Opala, o fuca, o Chevette e não sei mais o quê. Cada vez que mudava modelo, de um ano para o outro, era uma sinaleira, um friso preto. Agora, quantas marcas têm? 150? 200? 300?

O que teu pai fazia?
Fazia móveis. Fazia o que tu quisesse. Guitarra, microfone, amplificador. O velho era muito inteligente. Se tivesse uma orientação, e cá entre nós, ele está lá no céu, Deus o tenha, se gostasse de trabalhar mesmo... poderia ter sido... mas ele foi um cara feliz. Só poderia ter mais patrimônio.

Eras um guri de rua?
A gente tinha aquelas brincadeiras que não se tem hoje, do futebol, do botão, bolinha, taco, mas a minha mãe sempre me trouxe muito nas rédeas curtas. Então, eu sempre fui caseiro. Um pouco por temperamento, mas mais por imposição. A minha mãe – às vezes me emociono e choro – com as dificuldades que ela tinha, sempre apostou em dar estudo para os filhos. Dizia: “Não vou te deixar nada nessa vida, a não ser o estudo que estou te dando”.

Entrevista na íntegra na revista Press & Advertising


 
Julio Ribeiro
Jornalista
julioribeiro@terra.com.br
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