Copiando, descaradamente, a ideia de uma das melhores crônicas do jornalismo brasileiro, escrita por Paulo Mendes Campos, na década de 60, faço a minha lista das coisas abomináveis e deleitáveis de 2009. Como em todas as listas, haverá quem discorde de uma ou outra coisa, o que é algo normal, democrático, deleitável e, haverá quem discorde de tudo, o que não chega a ser abominável. Em qualquer dos casos, desejo um grande 2010 para todos os leitores, parceiros e amigos e que se cometa, e cometamos, menos abominações e mais deleites no ano que está surgindo.
Primeiro as abomináveis. A orgia financeira dos grandes conglomerados americanos, que espalhou mais miséria pelo mundo. A celeridade com que os líderes mundiais injetaram alguns trilhões de dólares para safar os safados. A passividade com que esses mesmos líderes conviveram com a morte de 6 milhões de pessoas de fome no mundo neste ano. Gente rica que ficou ainda mais rica com o alarde de uma “pandemia” de gripe suína no mundo. O Tamiflu, as máscaras cirúrgicas e o álcool gel. O espetáculo do funeral de Michael Jackson que não acontecia nunca e os familiares que aproveitaram para faturar. O fim do diploma para jornalistas. O Rubinho, que não ganha nada, ter tirado a chance do Felipe Massa de ser campeão. A dupla safadeza do Nelsinho Piquet, primeiro largou marmelada na pista e depois dedurou o chefe. Barack Obama eleito Prêmio Nobel da Paz sem ter tirado um único soldado do Iraque ou do Afeganistão. A entrada em vigor do Tratado de Portugal, que abre caminho para um governo único na Europa. Todos os ditadores, e candidatos a, que continuaram no poder. A palhaçada das CPIs, todas elas, em qualquer nível (aliás, que nível?). Os panetones e a cara de pau do Arruda. A superlotação dos presídios brasileiros, sem a contribuição de um único político ou grande empresário corruptos. O trânsito de Porto Alegre. O esquema de “produtividade” dos azuizinhos, transformados em emissores de multas. O secretário de “mobilidade” urbana de Porto Alegre. A vitória do “não” na consulta pública pelo projeto Pontal do Estaleiro. A própria consulta. As duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. O Flamengo campeão. As mais de 35 mil pessoas mortas em acidentes de trânsito neste ano. O crack e todas as drogas, lícitas e ilícitas. Os dois animais travestidos de gente que enfiam mais de 40 agulhas numa criança de dois anos. A greve do CPERS por que o governo gaúcho quer dar 63% de aumento aos professores. A falta da primavera, que não veio em 2009. O fiasco da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Agora, as deleitáveis. Pelo menos, pra mim. O Inter, campeão gaúcho invicto. Os 100 mil sócios colorados. Ter conhecido Viena, a melhor cidade do mundo para se morar. A Copa do Mundo de 2014 no Brasil. As Olimpíadas de 2016, idem. Vão roubar a rodo, mas vai ficar alguma coisa pro País. A Dona Maria, minha mãe, que, aos 87 anos, driblou todas as previsões médicas, se recuperou e segue firme com seu sorriso de cortar o coração. Ter aprendido, com uma linda passofundense, a falar palavras como “leitE”, “noitE” e “montE” com o “E” bem pronunciado. O convívio sempre próximo com as minhas duas filhas. Termos rido muito, eu e elas, de qualquer bobagem. A empresa de gastronomia da Carol. Os contos e poemas da Aletsiram. O sucesso estrondoso dos dez anos do Prêmio Press. As 202 mil indicações no Voto Popular e Profissional. A 27ª edição do Jornal da Capital. A 125ª edição da revista Press Advertising. O 179º programa De Cueca Apertada. Ter recebido da Associação Riograndense de Imprensa o troféu Antônio Gonzalez, pela contribuição à Comunicação do RS. As participações no Coffee Break, da Band News. As participações no Guerrilheiros da Notícia, na Pampa AM. A aprovação pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, do projeto Cais Mauá. Os velhos e novos amigos. Ter andado de havaianas em dias de semana. A vitória, até aqui, do vice-presidente José Alencar, da ministra Dilma e de milhares de anônimos que lutaram contra o câncer em 2009 e vão levando suas vidas. Os brasileiros, que na sua maioria, ralaram muito pra fazer este ano menos ruim do que todo o mundo profetizava. A economia brasileira que se segurou diante da crise internacional, mostrando que o Brasil é a bola da vez mesmo. Dunga, que classificou a seleção brasileira, com folga, para a Copa do Mundo de 2010. O mesmo Dunga e a mesma seleção, que vai ser hexa-campeã em 2010. Em por fim, a saúde que eu e você tivemos em 2009 e que, espero e desejo, tenhamos durante todo esse novo ano. Deus queira – e ajudemos – seja um ano deleitável!
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