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2009: o ano da mudança de enfoque sobre o rádio digital

O Brasil chega ao mês de dezembro sem que o padrão de rádio digital a ser adotado no país tenha sido definido. No entanto, de parte do governo e dos empresários, ao longo do ano, verificaram-se significativas mudanças de postura. O Ministério das Comunicações, por exemplo, antes inclinado a adotar o sistema IBOC, dos Estados Unidos, lançou uma consulta pública para que sejam testados outros padrões. E apresentou parâmetros para a realização destas experiências de transmissão e re-cepção. De parte dos radiodifusores, a ideia de que o governo deva garantir, na faixa de frequência modulada, espaço para as emissoras de ondas médias representa também uma mudança de postura. Prova que os proprietários e os gestores já se deram conta de quanto o FM é fundamental, hoje e no futuro, para o rádio comercial. Afinal, é esta faixa a que está disponível nos onipresentes celulares e tocadores de MP3.

Essa última constatação vem na esteira de projetos bem-sucedidos como o da Gaúcha, no segmento de jornalismo, ao duplicar o seu sinal de AM em frequência modulada. Explorando outro nicho de mercado, o popular, mas com sucesso idêntico, a Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, passou a transmitir, em meados deste ano, também na faixa de FM. A boca pequena, comenta-se que o Grupo RBS pretende fazer o mesmo com a Farroupilha, desde 1983 líder geral de audiência em AM. Dentro da mesma lógica, no interior, a VivaNews, emissora dedicada ao jornalismo, em Bento Gonçalves, migrou para o FM em junho.

Não só por questões de posicionamento em uma faixa de transmissão presente em celulares e em MP3 players, o ano vai terminar com a Gaúcha consolidada como líder em radiojornalismo no Sul do país. De fato, em um dos momentos mais marcantes do ano, a sua tradicional concorrente – a Guaíba –, na prática, abandonou o segmento que ajudara a criar e consolidar desde a sua inaugura-ção em 1957. Sob a orientação do Grupo Record, de São Paulo, a emissora pendeu, no segundo se-mestre, para o popular. A opção, arriscada no mínimo, ainda é recente para que se possa analisá-la com rigor. No entanto, pode-se aventar que teria mais resultados se apostasse no serviço e no entre-tenimento, com menos sensacionalismo, quase um Diário Gaúcho radiofônico. E adotasse a deno-minação “Record”, mais associada a este tipo de conteúdo. A Guaíba poderia, então, mesclar a sua tradição de notícia, esporte e música ao FM. Aliás, em uma das últimas ações do grupo ligado à I-greja Universal do Reino de Deus, a emissora em frequência modulada também teve sua programa-ção alterada, sepultando de vez o que outrora foi conhecido como “a música da Guaíba”.

Matéria na íntegra na revista Press & Advertising


 
Luiz Ferraretto
Colunista
luiz.ferraretto@uol.com.br
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