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Felipe Vieira

Por Julio Ribeiro e Marco Antonio Schuster
Fotos: Jefferson Bernardes


A gente tem que dar porrada



No 400º e-mail, Felipe Garcia Vieira parou de contar quantas mensagens de felicitações pelo Prêmio Press Jornalista do Ano 2009 havia recebido em 24 horas. Torpedos foram outros 160, mais 186 e-mails numa segunda caixa postal. Ainda não tivera tempo de contabilizar as mensagens do Orkut.
O dia seguinte foi tão corrido que não teve tempo de dar o telefonema diário aos pais, em Butiá. Foi o pai, Romeu, quem ligou na quarta de manhã perguntando o que tinha acontecido. Eles viram a notícia na edição nacional do Jornal da Band.
É a quinta vez que ganha o Press, nas anteriores ganhou como apresentador de TV do Ano. Concorreu com Políbio Braga, Gustavo Motta, Roberto Brenol de Andrade e seu chefe e amigo Leonardo Meneghetti.

Internamente, chegaram a comentar do risco dessa divisão de votos, mas mantiveram uma fraterna disputa. Afinal a amizade deles tem até data de início: 28 de fevereiro de 1986, quando se encontraram na Faculdade de Meios de Comunicação Social (Famecos), da PUC-RS. Quando foi para a Band (depois de trabalhar na RBS no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) Meneghetti passou a fazer insistentes convites a Felipe. Até que um dia, em conversa com Bira Valdez, aceitou.
O pai é contador, a mãe, Ilda, filha de uma espanhola, o que deu a Felipe o direito de dupla cidadania, é dona de casa. Ele nasceu em Butiá, tem 43 anos e começou a trabalhar em rádio aos 13. Bom gourmet, mantém a forma física fazendo exercícios três vezes por semana. Conseguiu baixar dos 115 kg para 102 kg (altura: 1,84m)
Em 1989, entrou na RBS, e em 1999, na Band. Diz que a vida profissional anda em ciclos de 10 anos. O Prêmio Press de 2009 parece apresentar um novo ciclo. Mas desta vez, não troca de emissora, garante.

Qual a sensação de ser Jornalista do Ano? Do que se reveste o Prêmio?
A responsabilidade. Ontem me perguntaram se eu acredito que seja o melhor jornalista do Rio Grande do Sul. Eu disse não, tanto que votei no Políbio Braga. Agora, como tem todos esses filtros da Press, dentro dessa forma legítima da votação, eu estou agradecido a essas pessoas que me escolheram. O que representa isso? Responsabilidade. Com a visibilidade que o prêmio me deu, eu sei que vou ser mais cobrado. Tanto por quem votou quanto pelos meus ouvintes e telespectadores. Sei que agora vai ter uma expectativa maior. E muita gente vai usar isso para fazer finas ironias. “Essa é a opinião do Jornalista do Ano do Rio Grande do Sul?”

Internamente, como repercutiu?
Muito bem. A disputa com o Meneghetti foi muito leal. Afinal de contas, não fomos nós que votamos em nós. O Leonardo antes de tudo é meu amigo. Quando o Bira Valdez me chamou, em outubro de 99, foi um papo muito simples. Eu disse para ele que a grana não era a questão maior, e ele me disse: “Aqui você vai ter espaço. Vai participar do Jornal Gente, um programa de qualidade, às 7h30min. Tem mais espaço à tarde e vai fazer o jornal local da Band TV”. Aí eu conversei com o Geraldo Corrêa, chefe da Rádio Gaúcha na época, e com o Nelson Sirotsky, ele me chamou para conversar. Mas frente a esse argumento de que teria espaço aqui, naquela época a Gaúcha estava muito fechada. Veja, o que mudou de dez anos para cá foi o “Atualidade”, saiu o Ranzolin, o Mendelski saiu. Entrou o Macedo, na primeira edição do Chamada Geral, o Lauro Quadros, o Lasier, o Ruy Carlos Ostermann continuam. A base do jornalismo da Gaúcha teve poucas modificações em dez anos.
Eu tenho hoje dez anos de titularidade num espaço nobríssimo na BandNews com o Diego Casagrande. Na AM, tenho duas horas na programação da tarde. Um espaço muito bom, de muita responsabilidade, porque do outro lado está o Lasier Martins.

Existe o medo de muitos de saírem de uma emissora líder, como é a Gaúcha, e sumirem. Perder a visibilidade. Teu caso foi o contrário.
Eu já ouvi, de um amigo que tenho na Gaúcha, que quem entra na Gaúcha vai ser líder não só pela pessoa mas pela estrutura montada da RBS. Eles têm condição de “mudar o pneu com o carro andando”. Mas eu acho o seguinte: quem não gosta de desafio vai ficar sempre fechadinho. Eu gosto de desafio e isso não é discurso. Era um desafio para mim e segue sendo um desafio diário. Um negócio que eu não acredito, que eu contesto, é o Ibope. No fato mais importante desse país que é a eleição de mandatários, o Ibope erra ridiculamente, erros crassos em pesquisas. Quantos casos tem aí? Como é que o Ibope não vai errar rádio e televisão?

Tu achas que a audiência da Band é maior?
Eu não sei se ela é a maior ou não, o que eu sei é o seguinte: nós temos audiência que é representativa.

O que quer dizer representativa?
Quer dizer o seguinte: quando eu dou uma porrada e cruzo pelo cara na rua, pode ser governador de Estado, deputado, prefeito, sei que, se ele não ouviu, ficou sabendo. E isso, muitas vezes, no meu ponto de vista, é mais importante do que o cara ter X mil ouvintes e não ter repercussão. A gente tem repercussão, tem credibilidade e isso é o que me importa. É uma guerra que eu tenho. Nós já nos reunimos com o Domício Torres (gerente do Ibope) várias vezes, ele dá as explicações dele, eu respeito, mas eu não acredito no Ibope.
Alguns amigos meus publicitários dizem que não podem fazer um investimento tal porque o Ibope não apresenta isso. Aí eu digo: “Então tá. Amanhã vou lá na rádio, já que não é significativo, dar um pau em ti e na tua agência”. Já disso isso, de brincadeira. Mas eles reagem: “Não, não faz isso. Todo mundo te ouve”. Então põe a verba lá! Quantas vezes a gente encontra um empresário dizer “ouço teu programa todos os dias”, mas por que não anuncia?

Entrevista na íntegra na revista Press & Advertising


 
Marco Schuster
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