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Bolsa-fazendeiro

Mantive uma breve polêmica no Correio do Povo com os ruralistas gaúchos a respeito das ajudas generosas que eles recebem do governo federal. Disse o que penso: o agronegócio é contra o bolsa-família, mas a favor do bolsa-fazendeiro. Na verdade, é uma questão de disputa pelas mesmas verbas. Antes do bolsa-família, com os subsídios fartos para agricultura e pecuária, o dinheiro público ficava mesmo era com a turma dos camarotes rurais. É um pessoal que quer Estado mínimo para o MST e máximo para a Farsul. Faz sentido. Cada um luta pelos seus interesses. O MST produz acontecimentos para a mídia com invasões (ou ocupações) espetaculares. O agronegócio faz lobby e tem sua bancada parlamentar. É a democracia.

O deputado federal Luis Carlos Heinze me mandou uma carta, pois “gostaria de corrigir alguns aspectos” das minhas ruminações agropecuárias e telúricas. Teve seu direito de resposta acolhido com um artigo publicado na página 4 do Correio do Povo. Levei muito tempo para digerir tudo. Só agora tenho uma análise mais elaborada, embora sem grandes comentários. Antes tarde do que mais tarde, aqui vai uma parte do o que ele disse (eram quase 9 mil caracteres): “O endividamento agrícola brasileiro se formou a partir do final dos anos 80 e início dos anos 90 (...) o mundo resolveu eliminar os subsídios e os países ricos – Estados Unidos, China, Japão, Índia e os da Europa – continuaram auxiliando, com pesados investimentos, os seus produtores (...) Nos EUA, mais de 50% da renda rural é de subsídio governamental”.

Segundo ele, “é preciso considerar que o mercado de defensivos, fertilizantes, máquinas (tratores e colheitadeiras), diesel são altamente cartelizados. Isso, sem falar na elevada carga tributária brasileira, a maior do mundo. Ela passou de 20% do PIB em 1980 para 36% em 2009. Se o produtor não consegue repassar no preço do seu produto essa diferença, ele tem que arcar com o custo”. Eu sou ingênuo: achava que essa era a lógica do mercado. Sempre pensei que a lógica no capitalismo a fila anda. Apostou, perdeu, vem o próximo. Menos no agronegócio.

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Juremir M. da Silva
Jornalista
juremir@correiodopovo.com.br
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