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Ploc!

O ser humano é tão repetitivo que parece gago terminal. Os chavões pulam da boca em balões de conversação de chiclete. Os sentimentos gotejam sobre gastas bacias de alumínio amassado. As atitudes se igualam a tiques nervosos e autômatos. O ser humano é um dependente do que ele se acostuma a fazer e repetir. É um viciado nele mesmo.
O feriado que duplica o domingo ou antecipa a sexta-feira é perfeito para exercitar as renitentes características da raça. Feriadão é hora de bater asas da cidade rumo a outra cidade – à beira-mar ou sobre a serra - igualmente apinhada de gente. Comer, beber, dormir, ressaquear, enfrentar a tranqueira da volta e por aí vai a dor de cabeça.

Depois de voltar à rotina número 1 e reencontrar-se com todos, a tradicional pergunta como foi de feriadão? será respondida de forma igualmente original. Já as histórias que se sucederem ficarão pelo caminho por falta de graça e/ou narrador à altura. Se o narrador for de médio a bom, podem se tornar subliteratura.

Lá atrás em Finados - data de nascimento deste texto, por sinal -, para também ser fiel a mim e me repetir, eu não fui atrás da multidão. Eles lá de arrasto pela estrada e eu ali com meus botões ensimesmados. Há muito que, por motivos que não vêm ao caso, prefiro o silêncio nestas circunstâncias. Mas só a diminuição do ruído não basta. É preciso encontrar algo para fazer além de ler livro, ver filme, comer algo gostoso ou alguém em bom estado.

Matéria na íntegra na revista Press & Advertising


 
André Martins
Redator
doandremartins@gmail.com
A temporada da censura
Parada Brusca
3.500 caracteres
Tempos “midiocres”
Entrevista:
Pedro Bertelle
Vida de Criativo:
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Vida de Repórter:
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