“Com certeza, é jornalismo”, responde Eduardo Conill, decano do colunismo social porto-alegrense. Ele está no Correio do Povo há mais de 40 anos, e antes era do finado Diário de Notícias, sempre atuando da mesma forma: “Nós entrevistamos, damos furos, checamos informações como todos os jornalistas das outras editorias”. A diferença são os horários e locais de encontrar fontes. Enquanto o pessoal das outras editorias está baixando a edição do dia seguinte, eles estão conversando com as fontes, às vezes em locais onde colegas podem estar presentes em horas de folga. Ou estão baixando o seu material enquanto os outros estão coletando dados. Conill conta que há noites em que ele é obrigado a ir a três festas diferentes. Não aproveita nenhuma: “Vou, converso com as pessoas, pego as informações e saio”. Ele até diminuiu o ritmo de festas ultimamente, já tem uma caderneta com telefones de fontes capazes de suprir alguma ausência. Paulo Raimundo Gasparoto, de O Sul e antes disso da Revista do Globo, TV Piratini, Folha da Tarde, uma trajetória que supera 40 anos de jornalismo social, conta que as fontes “brigam para chegar na gente, a coluna social sempre foi e continua sendo muito importante”. Importante porque é lida. Uma pesquisa feita em 1988 pela revista Imprensa mostrou que Ibrahim Sued era o jornalista mais lido do Rio de Janeiro. Desde os anos 50, ele tornou-se o modelo dos colunistas sociais brasileiros, ao mesclar fofocas do high society com informações sobre política e economia. Como diz Conill, “o colunismo social abrange todas as outras áreas. Às vezes, colegas se chateiam porque fontes deles dão informações para nós”. O gênero começou no início do século 19 e foi o precursor das colunas de opinião com informação. Antes o que havia eram artigos assinados e editoriais de personalidades. Mas em 1911, O Diário, que circulou em Porto Alegre até 1917, publicava diariamente a coluna Porto Alegre Elegante, sobre moda, eventualmente assinada por MM. Mas o que poderia ser chamado de embrião da coluna social de hoje era o espaço, sem assinatura, chamado Vida Social, publicado em 1917 no mesmo jornal. Nos anos 40 e 50 é que se tornaram famosos nomes como Herton de Leon, a grande Gilda Marinho, Luiz Augusto Gonçalves, Lígia Nunes, hoje sossegada em sua casa. Todos publicando textos curtos como torpedos de celulares, informações de bastidores, algum “diz-que-diz-que”, fotos, ironias. (...)
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